A fábula de Fabergé e outros poemas

Emmanuel Santiago

A fábula de Fabergé

Se Olavo Bilac procura
a palavra polida feito
a pérola (escafandrista
pescador de esmeraldas
na espuma das estrelas)
é para depois prepará-la
dissipando as impurezas
da prosódia, de modo que
a melodia soe cintilante
em ouvidos de ourives.

Mas ao compara-se ao
ourives, talvez pensasse
nas engrenagens de um Fabergé
onde o sublime se processa
preciso e precioso, …



Busca e outros poemas

Walter Ramos

Busca
Amanheceste, sol-a-pino, ante a Vulgata,
lavraste no vão das costelas, alma e alento,
com um canto oculto sob o nó da garganta
mudo, pensante, tal cantar no intento.
Numa mão, certa caneta vestida de prata
a ouvir muitos silvos que imitam o vento.
Sagrações vindas de uma imaginária mata
que gotejam, vivas, dentro do pensamento.
E …






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