Cinco retalhos e outros poemas


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Thiago Ponce de Moraes

Cinco retalhos

a Meu Abstrato Mestre

II

Ali está
Junto ao meio-dia
No fundo largo e solitário
Da basta melancolia

III

Ali está
Uma alma ainda
Reside mansas nuvens
Ainda sombras de mergulho
A imagem a imagem
Sono este
Sonho branco
Estranhíssimo marfim

IV

Mole floresce (folhas)
Sombreia sombras
(Ali estão)
Aranhas bebem
Porção de cores
Dormem tranqüilas
Escuras
(Poças)

V

Luz que brisa
Nenhum
A
Paga
Que espelho
Nenhum
Que
Brado
(Só uma
Palavr
A
Vara
Que afund
A
Funda)

Irrigar o rio

a Carlos Besen

Fingir é sísmico.

O fluxo, suas guelras, seu contorno
Pouco, seu não manter-se atado
À própria brancura, sua
Demora e súplica:

Uma cisma similar.

Se ilumino lâmino, simulo,
Um flúmen também é lírio:

Mesmo que azul
Ou não azule, mesmo que
Sem fórmula, só flâmula, deságüe
Em desigual revide, é lume, silêncio
firme, feição devolvida, estado em riste.

O rio já é lar, semente furtada, páramo, pálpebra:

Sua intenção de sombra,
Pluma de brasa, seu argumento
Nítido em caules d’água.

E não conta o que contém,
E não conta, contamina;
E descobre o breu no que é
Raso. Raso não.
Razão.

Alheamento

Aqui jaz sob
Sono de
Retorno algum.

Aqui jaz. Folhas
Ao longo e ao largo
Sonhas
Simples números, traços, coisas
Simples.

Tens pouca luz, tens
Bastante;

Entanto

Nadas — íris verdes —

Juras.

Thiago Ponce de Moraes nasceu no Rio de Janeiro. É poeta, graduando em Letras pela UERJ. Publicou seu livro de estréia, Imp., em 2006. Alguns poemas deste livro estão espalhados em sites e revistas de literatura. Faz parte do conselho editorial do jornal de poesia contemporânea O Casulo e ajuda na organização da Flap! desde 2006. Escreve em seu blog.

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