Roteiro para instigar existências e outros poemas
Whisner Fraga
Roteiro para instigar existências
Haver há uma cisma de neblinas
Uma malga eriçada de senões
Há agapantos e mãos em pala
Cerimoniais gangrenados
Haver há um queixume de setas
Ressonâncias de farsas e terra
O estrume da imperícia humana
Haver há uma síncope de almas
A realidade amarrotada em carnaduras
Há um frio traído, desiludido
Ao descerrar dessa ruína pejada um véu esfarinhado
Há e não há.
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Para o escondedouro das sombras
Rechear de cotas a distância do ventre ao túmulo
Corpo-órbita aventurando em violências
Ocupar o que resta de espaço
Contabilizar os dramas das lápides
E as heras
E as fotos que carbonizam ao ócio
E os ossos que suam
O pântano dos madrigais
Contra a hostilidade dos fósseis
Onde a cobra atocaia a própria cauda
E já não barganham eternidades.
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Última receita para apaziguar a tempestade nas plantações de casulos
Mãos de terrina
De aragem de fulgência
Altares de cuidados e gestos
Conchas para a colheita de borboletas
Vigias de sombras cismadas
De invernos alheios
Anjos a adocicar o céu
Tolerar as feridas chamuscadas de lodo
De deuses sem fé
E sem divindade
Espírito de nuvens e algodão-doce
Voar a bombordo dos homens
Entretanto lhes entorpecer as quedas
Com plumas de sonhos
Mãos de terrina
Para todas as fomes.
Whisner Fraga é escritor, autor de Coreografia dos danados (Edições Galo Branco, 2002), A cidade devolvida (7Letras, 2005) e As espirais de outubro (Nankin, 2007). Escreve em seu blog.




