Tiziu, Afronta e Vaticínio
Walter Ramos de Arruda
…Tiziu… (o peito aceso)
Crivai no céu a seta infinda.
Curvai o véu a pender pêlos.
Regai a tez à luz no espelho.
A foz da voz, mantê-la viva;
Dançai na sina a temperança.
A Dádiva assina: Esperança.
É que a harmonia é feminina.
O homem é bicho pesqueiro
que faz escolhas, e raro sabe
o fel do assalto, o alçapoeiro,
(& assovio de mata adentro).
E aço, e vão, vinho e estrada.
Desagravo, desafeto, desafio,
desaforo, desavento, desatino,
Fio-navalha, cigarro de pavio,
essa sede é um brasil no peito
Não sara esse braseiro aceso.
E nunca mais houve sossego.
E Lá está. Lá se vai, lá se foi.
Um assovio no meio da mata…
Afronta
A quem a presa tensa sugira afagos
porquanto frua vertiginosa aragem
que pela dor serena lamente a pena
da agônica condenação à voragem
de nada vale o choro, a vaia, a grita
se a presa ali trancada enfim definha
— se vestem a pele da vítima vitimada —
e depois do alto pico — de audiência
desligam o écran, bem trancafiados,
no alto dos intocados arranha-céus,
esperam mais uma enquete de morte
a saber com ressalva ou alguma sorte
se seja a próxima presa desconhecida
ou se da própria família, e a coragem?
alvo de uma bala achada, ou perdida!
Como este novo estado: totalitário.
Vaticínio
E por agora, além das lâminas,
sob a sarça — há velhas gralhas
em conluios, ali, acolá, reunidas
laborando do ápice das malícias
na loja voraz, a intriga rendada,
sobre a malha tecida contra vós.
E por agora, a carranca obtusa,
A fera da feira e a besta ferina
No aço da altura do principado;
Lá na mais alta das coberturas
rangem dentes, ficam sem voz.
Por agora e no tempo vindouro
na mais desatada das sangrias,
As mais farisaicas das panelas,
a do teatro, cinema e da poesia,
O Centro de Ciências e Filosofia,
a verter ódio, ira pelos buracos
Lamentarão o que não alcançam
(ao flagrarem a vossa verve viva)
em lamúrias baixas e lamentos;
aceitarão, o mais difícil, caladas
com o vosso texto lido em mãos.
Recitarão, nulas, certos trechos.
Perplexas, aos brados trancados:
“— Que do caralho! Do caralho!!
Caralho!!!”
Walter Ramos de Arruda (1976) nasceu em Recife. Tem formação em Letras e antropologia. Poeta e roteirista, está a preparar um livro de poemas. Vive escrevendo.




