Conceitual década de 70
Elton Pinheiro
— Que lugar é esse?, você está sonhando e vê Escuta e não sabe Medo impronunciável, uma falta Mas vá, não pense Pensar é o vício ignaro que deporta desejos para os valores morais
Você vê uma seqüência de professoras enfileiradas. Não estão em pé, não estão sentadas. Esperam em silêncio com mãos atadas por cordas que as fazem debruçar cada uma sobre um sofá. Imenso, porque na fila se perde a vista, até o escuro abissal que no fim a traga. Essas tutoras existiram no pré-primário ou no cosmo do grande círculo de asnos; a danação completa você não lembra. Debruçadas, ajoelham pernas livres, de jeans ou saia. Todas, sem exceção, com a roupa arregaçada, bunda de fora.
No início da fila você observa. Vê as nádegas lisas e subitamente um rosto ou outro se volta sem dizer. Tua mão esquerda vence e namora o início do sofá, onde o braço de couro aconselha à indústria Art Dèco, não à Arte. Você respira, como se pensasse, mas já liberto…. Na tua mão direita pende pesada, feita em madeira, uma palmatória.
Você fecha a mão, agarra com alça no pulso. Máquina perfeita. A primeira delas olha pra você arregalada, cabelo solto. Intui o que eu vou escrever. Não há como deter o inexorável.
Elton Pinheiro foi contemplado no Edital 2006, que selecionou obras literárias inéditas de autores residentes no Espírito Santo, com o livro de poemas Orações com vícios de linguagem, e indicado ao Prêmio Taru 2007. Compositor e músico, poeta e escritor, publica em seu blog polifOnia.





Porque as entrelinhas, a palma ecoa no ouvido esquerdo [o mais adestrado].
Parabéns.