O sorriso de Helena
Gabriela Zago
Duas coisas me chamavam a atenção em Helena. A primeira era o sorriso. Quando a Helena sorria, parecia que o mundo todo se abria num imenso mar de felicidade. Os peixes saltavam para fora da água (mas voltavam, antes que se lhe faltassem o ar), as crianças pulavam de alegria, os penhascos se atiravam ao ar, as estrelas brilhavam mais fortes e a Lua se aproximava do Sol, cada vez que Helena sorria. Seus lábios se esticavam de tal forma que eu não duvidaria se a foto de Helena sorrindo fosse encontrada logo abaixo da definição da palavra sorriso em um dicionário ilustrado. A maneira que as covinhas de seu rosto se contorciam quando Helena sorria também era peculiar. Era como se uma pedra fosse jogada em um lago e provocasse infinitas reverberações concêntricas rumo à margem, sendo que, no caso de Helena, não havia margem: tudo era sorriso. E o mais importante de tudo: aquele sorriso era meu. Eu era o detentor exclusivo do sorriso de Helena. Helena só sorria quando me via.
A outra coisa que apreciava em Helena era o prato de macarrão, que só ela fazia do jeito que eu gosto. Mas Helena morreu. E, diferentemente de quando ela me via, Helena não morreu sorrindo. A morte, sentida pelos pássaros que pararam de piar e pelas formigas que, em homenagem a Helena, deixaram de estocar comida durante um dia, foi trágica. Um raio caiu do céu e atingiu Helena. No corpo, a expressão de dor era visível. Mas, ao menos em meus pensamentos, Helena continua sorrindo.
Gabriela Zago. Gaúcha. 20 e poucos anos. Estudante de Direito e Jornalismo. Escreve em um blog. Utiliza a escrita como fórmula para escapar da realidade nos cada vez mais raros momentos livres.





Sinceramente, quando terminei a leitura fiquei muito inserida na vida de Helena. Precisei imaginar tudo sobre ela, mergulhei nas suposições e até sua infância despertou em mim curiosidade. Pobre Helena, eu sorri (triste) ao imaginar os pássaros e as formigas.
(suspiro)… Helena.
Belíssimo conto, que de minimo nada tem
Daisy Carvalho
Roteirista audiovisual
Terminei de ler com a sensação de que poderia ter sido amiga de Helena.
Parabéns, gostei bastante.
Como eu queria uma dessas pra mim.
Bom conto, Gabriela. Não sei porque, mas às vezes tenho a impressão que serás uma fracasso (no bom sentido - ?!) como advogada — teu mundo é o das letras e suas possibilidades.