A liberdade é roxa


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Samantha Abreu

Quando resolveu se separar dele, tinha decidido nunca mais arrumar homem meloso, que a tratasse bem demais. Não gostava de ninguém “no seu pé” e queria conhecer de perto a tão falada independência feminina.

Ficou meses fugindo enquanto ele a seguia, implorando para que ela voltasse pra casa e o amasse de novo. Mas ela, irredutível, buscava a sua própria revolução sexual.

Anos mais tarde, apaixonou-se por Valdemar logo que o conheceu, ele estava jogando bilhar em um bar do centro da cidade e tinha aspecto grosseiro, meio seco e direto, do jeito que ela sempre sonhou. Em alguns meses, já estavam morando juntos e, a partir de então, ela, finalmente, saberia o que era manter a independência, mesmo convivendo com outra pessoa. Poderia experimentar a liberdade de continuar participando dos encontros femininos nas terças, no bar da avenida Paris.

Na primeira terça-feira, enquanto bebia e ria com as amigas, Valdemar apareceu para buscá-la aos socos e pontapés. Apanhou tanto, que teve certeza de que, se o tal polonês Kielowski tivesse vivido a liberdade, nua e crua, saberia que ela de azul não tem nada. Ela é, mesmo, muito roxa, igualzinho àqueles hematomas.

Samantha Abreu vive em Londrina/PR, onde é graduanda em Letras. É viciada em fantasias e tem a cabeça povoada por imaginações. Escreve o blogue Alta Intimidade, a série Mulheres sob Descontrole e tem textos publicados no site Escritoras Suicidas, Revista Germina e uma antologia.

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1 comentário  


  1. Adorei o conto. Acho que na verdade nenhum homem permite total liberdade. Nem o meloso nem o traste. Já tive dos dois tipos. A única coisa que faz mesmo a diferença é o respeito .

    Carolina Xavier - 08/02/08


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