Editorial #10 - Agosto/08

20/08/08

Esta edição chega com alguns imprevistos, mas tem algo de especial nela que ficará guardado. Como podem perceber, não temos as colunas por motivos pessoais de alguns colunistas, então deixaremos para novembro. Aliás, a décima primeira edição também terá algo de bastante especial, que não será divulgado até …



D.F. - Uma fábula possível

Gustavo Rios

Brasília pegava fogo. E, entre as chamas, algumas pessoas corriam desesperadas, na tentativa de salvar jóias, dólares e serviçais. Somente os melhores serviçais eram salvos. Os outros morriam queimados, pois que utilidade teriam se não sabiam cozinhar, passar ou lavar?

Quando o fogo finalmente cessou, …



Raiva!

Cássia Sousa

Estava em casa, deitado na cama. De bruços. Com o olhar um tanto vago, fixo na parede branca, perdido em pensamentos. Não qualquer tipo de pensamento. Detalhes minuciosos de cada lembrança miserável que um ser poderia possuir explodiam intensamente, sem parar um instante sequer, cada …



Paleta

Carlos Eduardo Bonini

Encanta-me a terra vermelha, esta que entra estabanada pelo salão em dias sem festa — primeira dança dos ventos do verão. Banca memórias, as mais puras e as que apertam o peito, e impõe um lençol colorido sobre a cidade sem curvas e …



Um caminho

Carlos Amaral

Ele caminhava: mãos no bolso, cabelo ao vento, cheio de uma liberdade tão plena que chegava a oprimir (porque a liberdade pode ser tormenta para quem não a conquista com luta, suor e sangue). Caminhava, passos lentos, reflexivos como ele todo. Caminhava e era …



Mortimer

Caio Marinho

Todo ano, Mortimer tentava acertar quando ia morrer. Escrevia a data num pedaço de papel, dobrava-o ao meio e colocava-o numa gaveta. Gostava de pensar que ainda tinha sempre o dia seguinte para viver, então nunca o escrevia no papel. Também a data escrita …



Lençol de girassóis

Briza Mulatinho

Acordou de madrugada, com o barulho de chuva na janela. Uma chuva fininha e passageira. Ficou ali parada, olhando os carros que passavam apressados, mesmo já tão tarde. E percebeu que o mesmo pensamento que a acompanhava antes de deitar continuava lhe fazendo companhia. Só …



Poeta transgressor

André Canevalle Rezende

Ele vinha rabiscando rapidamente páginas e páginas de caderno. Deixava versos magníficos por onde passava seu lápis, como pegadas de vida em solo maldito. Está quase concluída sua obra. É a mais bela obra jamais escrita em versos por mão humana. Trata, justamente, da mão humana, a …



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