Amilcar Bettega e Antonio Fernando Borges

21/11/07

A Revista Malagueta começou no dia 19 uma entrevista com treze escritores.

Nossa intenção é mostrar a diferença de opiniões, o que cada escritor pensa sobre os pontos que levantamos e abrir discussões sobre o que apresentaram em suas respostas. Inclusive sobre questões bastante comuns. A sinceridade era o nosso principal objetivo e conseguimos um ótimo resultado.

A entrevista foi criada com base em parte do ensaio Fail better, da escritora inglesa Zadie Smith, publicado em janeiro deste ano no jornal The Guardian. Tendo, portanto, alguns trechos traduzidos.

Lembramos que as respostas de cada escritor são unicamente de cada escritor, não tendo relação (ou intervenção) com opiniões dos editores da revista ou de qualquer autor publicado, a não ser que se pronunciem nos comentários. As perguntas foram enviadas por e-mail e os escritores tiveram total liberdade para responder.

As publicações serão feitas por ordem alfabética de sobrenome e cada uma terá as respostas de dois escritores. As próximas serão nos dias 23, 26, 28 e 30 deste mês. No último dia, serão publicadas as respostas de três escritores.

Para saber quais autores participam da entrevista, continue acompanhando o blog.

Amilcar Bettega e Antonio Fernando Borges

Zadie Smith disse que “para os escritores, escrever bem não é simplesmente questão de habilidade mas, sim, de caráter”. E pergunta: “o que é preciso para escrever bem? Quais qualidades pessoais isso exige?” A visão de literatura é ponto central ou único?

Amilcar Bettega: O que é escrever bem ou mal? Quem passa o veredicto? Certamente não é o escritor. A ele, interessa apenas escrever, simplesmente escrever, sem qualificativos. E para isso é preciso envolvimento, comprometimento total com o que se escreve, crença cega na palavra que se põe no papel. Ela não está ali para agradar a torcida. O escritor escreve porque acredita em cada palavra sua, e aí reside o seu caráter, a sua “qualidade pessoal”, para usar a mesma expressão (desde que ela não tenha nada a ver com o que é socialmente convencionado como qualidade pessoal).
Antonio Fernando Borges:
Embora não seja nenhuma gata, a escritora inglesa Zadie Smith mostra algo em comum com os felinos: suas idéias têm a “profundidade” de um pires de leite… Ual: tomá-la como paradigma de uma discussão literária séria me faz logo pensar: então não deve ser tão séria assim — e eu posso entrar mais relaxado na brincadeira. O que, aliás, é ótimo! Ando mesmo cansado de ficar discutindo literatura brasileira muito a sério.
Na verdade, entendo por que Zadie Smith insiste em querer saber: “O que é preciso para escrever bem?” De tanto perguntar (a si mesmo e aos outros), talvez ela acabe aprendendo… Quanto a mim, só sei dizer que escrever bem exige três coisas: talento, talento e talento. Ah, sim, tem uma quarta coisa : talento! Se eu possuo algumas delas? Não sei: os resultados do exame de sangue e da tomografia cerebral ainda não saíram.

Antes de saber escrever bem, é preciso saber por que se escreve? Por que você escreve: para ser lido, para ler ou pela pura necessidade da escrita, que talvez esteja além da expressão? Enquanto escreve, sua vontade maior é agradar ou se satisfazer?

AB: Enquanto escrevo só penso em agradar ou satisfazer uma pessoa: eu próprio. O resto não existe. Claro que eu quero ser lido, mas essa vontade só é formulada conscientemente depois. No momento em que escrevo, estou completamente sozinho, e é preciso que seja assim. Se escrevo é porque não sei exatamente por que o faço, mas para tentar descobrir. Para tentar me descobrir, eu diria, para me compreender. Escrevo para organizar minha cabeça, para me olhar verdadeiramente de frente. Fiz outras coisas antes de escrever, mas sempre me achei meio incompetente para tudo, meio medíocre no sentido mais etimológico dessa palavra. Escrevendo eu sinto que encontro a minha singularidade, e assim a escrita funciona como uma maneira de me conhecer, de tentar me entender, uma maneira de me dar um sentido, de preencher o meu vazio, de achar a minha serventia e minha competência. A literatura é sempre uma viagem pessoal, individual, mesmo se depois ela pode ganhar dimensões mais amplas e até mais nobres.
AFB: É impressionante como esta pergunta vive “coçando” na língua de todo repórter quando vai entrevistar um escritor. Quase nunca ocorre perguntar isso a um engenheiro ou a um dentista, por exemplo… Nem mesmo quando um viaduto cai ou a obturação ficou mal-feita. É até compreensível: no fundo, a literatura não tem essa importância toda que lhe atribuem, e os escritores não servem mesmo para muita coisa. Uma das últimas tentativas de enquadrar “essa gente” foi a chamada literatura engajada, com uma legião de guevarinhas empunhando o teclado em lugar da metralhadora. Argh!
Quanto a mim (que sempre detestei política), continuo sem resposta para a pergunta: por que virei escritor? Já pesquisei em família: sou caso único — o que afasta qualquer hipótese de herança genética. Também não tive nenhum trauma de infância: não fui molestado em casa nem na escola, não sofri traumatismo craniano, não tive choque anafilático na operação de amídalas… Pode ter sido alguma coisa estragada que eu comi na rua…
Também não sei a resposta, repito. Mas uma coisa é certa: não perco meu tempo tentando agradar leitor algum — e, para me satisfazer, prefiro outros “vícios solitários”.

Colocando-se apenas no papel de leitor de sua obra, existe a possibilidade de considerar qualquer trabalho seu um fracasso? Ao terminar de escrever um texto, você aceita e gosta do resultado unicamente porque é responsável por ele? Smith disse que “em algum lugar entre a superficialidade necessária do crítico e a desonestidade natural do escritor, a verdade com a qual julgamos o sucesso ou fracasso literário está perdida”. Como leitor e escritor, você concorda? Por que?

AB: Concordo com o fato de que sucesso e fracasso literário são expressões que só têm validade se comprometidas com o ponto de vista. Isoladamente não dizem nada. No que me diz respeito, a possibilidade de que eu venha considerar um trabalho meu como fracassado é sempre muito grande, claro. Nunca estou certo, antes de miraculosamente chegar ao fim de um texto, se ele vai corresponder não digo 100% mas o mínimo necessário àquilo que foi vagamente imaginado para que essa avaliação ultra-subjetiva que a gente faz do próprio texto acabe por nos levar a aceitar o texto e, às vezes, admirá-lo. Mas gosto da idéia do fracasso, trabalhar com essa idéia, sob essa sombra, acho que é uma boa coisa para um escritor.
AFB: Vejam só: Madame Smith projeta sua superficialidade nos críticos e sua “desonestidade natural” nos escritores. Sem querer tomar as dores dos críticos, digo apenas que, da minha parte, sou honesto o bastante para admitir: sei exatamente os momentos em que me sinto um fracasso nas letras. É quando leio (ou releio) qualquer dos grandes autores que admiro e reconheço: ainda nem cheguei perto — a começar por Machado de Assis e Jorge Luís Borges. Qualquer dia, jogo a toalha e desisto de uma vez, prometo: vou arrumar trabalho de gente honesta, como minha mãe sempre quis…

Alguns autores sentem necessidade de justificar seus estilos literários, muito mais quando algum crítico questiona sua validez. Naturalmente, pode ser uma tentativa de defender o que foi escrito. Tais explicações são essencialmente verdadeiras sempre? Até que ponto o estilo pode ser justificado? Há limites ou a liberdade de criação é prioridade?

AB: A partir do momento em que o texto sai da esfera privada do escritor, a partir do momento em que ele é publicado, a aliança entre o texto e seu autor está firmada, e este vai fazer de tudo para defender aquele, inclusive forjar explicações que se adaptem a formulações críticas exteriores, ou que as contradigam, dependendo da situação, do que é melhor para a defesa do texto. Pode ser que o que o autor diz num determinado momento sobre o seu texto seja contradito por ele próprio mais tarde, em outro momento e contexto. O que é certo é que a análise crítica que vem de fora e desemboca em uma avaliação, seja ela positiva ou negativa, vai sempre ajudar o autor a ler, compreender e defender o próprio texto. Vai ajudá-lo a criar um discurso articulado e racional sobre algo que até então era só intuição.
AFB: Consta que Juscelino Kubitschek, no começo da carreira, costumava recomendar a quem ia escrever seus discursos: “Não se esqueça de espalhar umas borboletas entre os parágrafos”. Este gosto — bem brasileiro — pelo fraseado colorido e esvoaçante está por trás dessa ilusão que nossos antepassados (parnasianos, simbolistas, etc.) chamavam de estilo.
Na verdade, o estilo é o que menos importa num escritor — são poucos os que realmente têm um. E isso nem sempre faz dele um grande escritor. José Saramago, por exemplo: tem o seu “estilo”, mas é um chato. Próxima pergunta?

A escritora inglesa considera a seguinte visão de TS Eliot limitada: “poesia não é uma expressão da personalidade, mas uma fuga dela”. E ela explica: “personalidade é muito mais do que detalhes autobiográficos, é o nosso próprio modo de processar o mundo, nossa maneira de ser, e não pode ser artificialmente retirado de nossas atividades: é nosso jeito de ser ativos”. Você acha que é preciso ter conhecimento e aproveitar um pouco dos dois lados na criação, ou apenas trabalhar com um deles é suficiente? A personalidade é um auxílio inevitável ao criar histórias e personagens, mas não é essencial que se saia dela para chamar esse processo realmente de criativo?

AB: Não sei se entendi direito a questão. Aliás, acho que não entendi. Como fazer uma coisa, qualquer coisa, seja escrever um livro ou arrumar uma mala, sem que essa coisa não seja, de algum modo, fruto, entre outras coisas, da nossa personalidade?
AFB: Mais uma da Madame: acha uma frase do grande Eliot… limitada! Poupem-me, please… Mas, até onde entendi, concordo com ela (não espalhem, hein?): com exceção dos esquizofrênicos, ninguém pode virar outra pessoa ou sair de si mesmo na hora em que escreve (by the way: Eliot não estava falando disso, mas isso é outra história…). Durante o processo de criação, tudo aquilo que o escritor sabe, pensa, acha — enfim, tudo aquilo que ele é — estará presente, interferindo em diferentes graus no seu trabalho.
Isso não quer dizer que eu concorde com essas leituras psicológicas ou “clínicas” que vêem sintomas da personalidade e o caráter do escritor por trás de cada personagem ou situação criada. Literatura é entretenimento: ler a sério demais é, sem dúvida, uma forma pretensiosa de leitura — que acaba desperdiçando o que um escritor tem de melhor a oferecer.

Os autores que, como Smith escreveu, fazem parte da geração pós-moderna foram criados para pensar que autenticidade é algo insignificante. O que faz um escritor ser autêntico hoje em dia? A recorrência ao clichê pode ser considerada parte de um possível fracasso? Por que?

AB: Ser autêntico é acreditar de fato no que se está fazendo. É não ir na onda da moda, do mercado, da crítica, da igrejinha literária. É não escrever para sair no jornal, para ser convidado para dar palestra ou para dar entrevista. Não que isso seja condenável ou mesmo desagradável, mas é preciso que seja, se tiver que ser, uma conseqüência. É preciso estar inteiro na hora de escrever, sentir que a vida dele, escritor, depende (não falo em termos materiais, obviamente) do trabalho que ele se propôs a realizar, da frase que ele vai pôr no papel. Escrevendo assim, o escritor será autêntico. Não falo em originalidade, que em se tratando de literatura é uma bobagem, mas em autenticidade.
AFB: Desculpem ser “curto e grosso”, mas toda esta lorota “pós-moderna” de ficar atacando a autenticidade e o talento é um triste sinal dos tempos: afinal, só quem não sabe escrever precisa realmente convencer os outros (e a si mesmo) de que tudo isso é… “coisa do passado”. Como não sou pós-moderno, funciono de outra maneira: mantenho um diálogo humilde com a tradição e os clássicos. Faço o que posso para aprender com eles. Cá pra nós: vocês acham coincidência que a maioria desses pós-modernos escreva muito mal?

No ensaio, a autora diz: “No mercado da ficção contemporânea, o escritor precisa entreter e ser reconhecível, menos que isso é visto como fracasso e rejeição dos leitores”. Que tipo de leitor você tem em mente quando escreve? O objetivo do escritor contemporâneo é apenas entreter quem lê seus livros? Por que?

AB: Acho que tem muitos escritores contemporâneos que não estão preocupados em entreter quem lê seus livros. Ainda bem. Essa frase assim solta, fora do contexto, fica difícil de analisar. O escritor que não entretém é visto como um fracasso por quem? Pelo mercado? Pelo público? Pela sociedade? Por seus amigos e sua família?
O escritor que escreve de olho no mercado é um escritor profissional. Atenção: nada contra! Coisas muito boas já foram escritas se pensando em faturar. Eu não consigo. Quando escrevo não estou pensando se vai agradar este ou aquele tipo de leitor. O texto tem que me agradar. Sou eu o meu leitor. Na hora de escrever não estou pensando no mercado, nem para ir na onda nem para ir contra. Ainda assim, se fosse absolutamente indispensável levar em conta o mercado, a opção mais saudável seria sempre escrever contra ele.
AFB: Madame Smith, mais uma vez, tenta generalizar seu caso particular… Sinceramente, quando escrevo não penso em nenhum tipo de leitor: é uma coisa abstrata demais para quem já tem problemas bem concretos para resolver! O leitor é apenas uma hipótese, e quando ele entra em cena não chega a acrescentar nada de essencial ao livro. Quem cria de fato é o autor — e fim de papo.
Quanto à segunda parte da pergunta: na ficção contemporânea, o escritor tem que fazer exatamente a mesma coisa que seus colegas de ofício do passado: escrever bem e falar a verdade. Duas coisas meio fora de moda, hoje em dia…

Você acha que o único dever do escritor é expressar sua visão de mundo? Por que? Se não é o único, quais são os deveres do escritor?

AB: Volto ao que foi dito na resposta à questão 6, o dever do escritor é consigo próprio, com as suas convicções, com o seu trabalho. O seu dever é ser autêntico. Trabalhando dessa forma, obrigatoriamente a sua visão de mundo vai passar.
AFB: Afinal uma pergunta importante, porque vem lembrar que escritores (como de resto também os seres humanos normais…) têm deveres, e não apenas direitos. Exatamente ao contrário do que se faz hoje em dia. Lembro-me da entrevista de um jovem e esquecível autor (nem o nome eu guardei) em que ele reivindicava seu “direito de ser ouvido”. Enquanto eu lia, pensava: “Deus do céu! Já não lhe basta o direito de escrever e dizer livremente o que pensa (um direito incontestável, sem dúvida) e ele ainda quer que prestem atenção nele?!” Ninguém pode exigir tanto do próximo, talvez só as crianças.
Expressar sua visão de mundo é um direito de qualquer um, sem privilégios. Já os deveres do escritor são os mesmos de qualquer indivíduo integrante da espécie humana e da nossa civilização. Falar a verdade é o principal deles. Os outros são bastante conhecidos — o que não quer dizer que sejam cumpridos

A vontade de atingir a perfeição num texto, do gênero que for, é algo que persegue o autor? Por que? “O sonho do livro perfeito é, na verdade, o sonho da revelação perfeita de si mesmo”? Somente os escritores considerados gênios conseguem “dizer a verdade de sua própria concepção”?

AB: Antes se falou sobre o fracasso, ainda que num sentido diferente. Mas o trabalho do escritor, em minha opinião, é um trabalho que de antemão está fadado ao fracasso. É preciso traduzir em palavras, pôr em linguagem, alguma coisa que não é linguagem. Pode se chegar perto, mas não há como fazer a correspondência exata entre o imaginado e aquilo que, por meio da linguagem, vai exprimir o imaginado. Mas é preciso acreditar que se pode chegar lá. Eu tenho permanentemente na cabeça essa idéia maluca e obsessiva de que um dia vou escrever um (para mim, ao menos) grande texto, o texto que vai me deixar tranqüilo. Felizmente é um sonho irrealizável. É o que me permite seguir escrevendo.
AFB: Dizem (o que talvez seja improvável) que certas tribos tapeceiras da Ásia costumavam incluir, de propósito, alguns pontos errados em seus tapetes: era uma forma de lembrar (a quem tecia, a quem vendia e a quem comprava) que a perfeição é um atributo divino, uma coisa que só por orgulho e presunção os homens perseguem… Essa lição até que faria muito bem a nossos contemporâneos.
Sendo apenas humano e imperfeito, eu às vezes também alimento este sonho do “livro perfeito” — mas logo caio em mim e me corrijo, e sigo em frente, fazendo apenas o que posso.

Para escrever o Fail better, Zadie Smith conversou com outros autores. Um deles disse que seria fascinante saber de escritores vivos o que eles acham que está errado com sua escrita ou como imaginavam seus livros antes de criá-los; ou seja, sugerir um “mapa de desapontamentos”. Como seria esse mapa para você? Mencionando algum texto seu (romance, conto, poema, etc.), quais seriam os aspectos principais?

AB: Acho que já falei sobre essa questão, a defasagem que existe sempre entre o que é projetado e o que se consegue realizar dentro dos nossos limites. Depois de feito o trabalho, depois que o texto é publicado, ele ganha outra dimensão, fica também mais distante do autor, com mais autonomia, e algumas coisas nesse texto tornam-se mais consistentes dando-nos a impressão de que ele não poderia ter sido escrito de outra maneira, que é aquela a sua forma definitiva. É uma coisa estranha e difícil de explicar, algumas coisas nesse texto que até então estavam, digamos, adormecidas, e que foram sem dúvida trabalhadas durante a escrita, parece que são reveladas num momento posterior à escrita. Talvez ele se afaste ainda mais do que fora idealizado no início pelo autor, mas é evidente que ele se aproxima da sua essência, daquilo que o fará existir para outros leitores independentemente do que o autor projetara no momento de concebê-lo.
AFB: Como eu estava dizendo na resposta anterior: se a perfeição for a meta, o fracasso será inevitável. Fracassar é sempre uma humilhação, naturalmente. Mas ficar “mapeando os desapontamentos” pode acabar se tornando um exercício de arrogância e ressentimento — e não de humildade, condição imprescindível ao aprendizado e ao crescimento. O jeito é relaxar e gozar — e ir tocando o barco. Até porque (é sempre bom repetir) a literatura não tem essa importância toda que a maioria dos escritores lhe atribui…

Um comentário  


  1. É muito bom saber o que escritores pensam sobre a arte de escrever.
    Se o Autor ficar satisfeito com seus textos a chance do leitor gostar será maior. E eu assim como Juscelino Kubitschek aprecio as borboletas. Pois tudo sério demais cansa!Beijos doce.

    * Veri * - 21/11/07


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