Flip: “Não existe literatura feminina”

No blog da revista LER:

Há ou não há uma literatura feminina? O tema é recorrente, por mais que em cada debate, conferência, festa literária ou tertúlia se tente enterrá-lo de vez. Foi o que tentaram fazer as três escritoras convidadas para a mesa “Sexo, Mentiras e Videotape”, já com a noite a cair em Paraty. “Espero que seja a última vez que se fale de literatura feminina”, afirmou José Luís Peixoto, no papel um pouco atrapalhado de moderador. Não será, mas vale sempre a pena tentar. Cíntia Moscovich, escritora e jornalista gaúcha, prémio Jabuti por Arquitetura do Arco-Íris (2004), tentou através da ironia: “Se há uma literatura feminina, tem de haver uma literatura homossexual; se há uma literatura homossexual, tem de haver passiva e activa…” Gargalhada da audiência e gargalhada de Cíntia. “Sim, mas há um jeitinho feminino, sim…”, acrescentou. Inês Pedrosa tentou através da frase definitiva: “Tretas. Não existe literatura feminina. Existe é boa e má literatura. Tudo o que seja criar guetos — na arte, na literatura, na vida — é estúpido.” Zoë Heller, escritora e jornalista inglesa, finalista do Booker Prize em 2003 com Diário de um Escândalo (editado em Portugal pela Presença), tentou através de uma comparação: “Quando a mulher fala da experiência feminina, é colocada num gueto. Ouve-se muito: ‘Ah, essa é uma questão feminina’. Quando um homem fala da experiência masculina, o tema é universal.”

Heller tem razão. Quando uma mulher escreve, é preciso que isso seja avisado antes. Quando um homem escreve, é normal. Há, claro, uma diferença talvez no jeito (sim, deve haver melhor definição) de escrever — o que não impede, de forma alguma, uma mulher de escrever sobre temas unicamente “masculinos” até melhor do que um homem, por exemplo.

Até onde vai a mania de categorização do ser humano?



Mais sobre a Flip

Mais links da cobertura: blog oficial e o canal da festa no YouTube.

O homenageado do ano é Machado de Assis. Vejam a programação completa e a lista dos autores convidados. Também será possível ver os debates ao vivo por aqui.

Update
O blog da revista portuguesa LER também fará a cobertura do evento.



Sobre a Flip

A Malagueta ainda não tem um correspondente na Flip, por isso indicamos aos leitores a cobertura que o blog Prosa Online, d’O Globo, começa a realizar. Escritores e jornalistas, como Sérgio Rodrigues e Fernando Molica, provavelmente publicarão algumas notas, então acompanhem estes blogs também. E não só pela festa literária, são boas dicas de leitura.



Edição #9 no ar

A edição #9 da Revista Malagueta acaba de ser publicada com algumas novidades e textos excelentes tanto de brasileiros como de portugueses.

Boa leitura a todos!

P.S.: Muito em breve teremos novidades, que serão divulgadas aqui no blog.



Mailing list

Algumas pessoas podem receber o e-mail da mailing list um pouco desconfigurado. Não é um problema que pode ser resolvido, já que o e-mail já foi enviado, mas acontece. Talvez nem todos recebam assim, mas as chances são pequenas.



Novo livro de Alex Sens Fuziy

Esdrúxulas, o livro de estréia de Alex Sens Fuziy, acaba de ser publicado. São 23 contos e minicontos sobre mulheres exdruxulamente maravilhosas.

Para saber mais sobre o livro, acesse o blog do Alex e entre em contato com ele.



Edição #9 só em maio

Por vários motivos, a edição #9, que seria publicada neste mês, foi adiada para maio. Isso não significa que a revista passará a ser trimestral. A periodicidade voltará ao normal com a décima edição, que será publicada em julho.

Aos interessados em participar da próxima edição, ainda dá tempo de mandar textos. O prazo é até dia 15 deste mês. Não esqueçam de ler as informações sobre o envio de material.



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