Num piscar de olhos

Marco A. Domingues

Tempo. Um piscar de olhos, uma fração de segundos e nada mais está como antes, nenhuma partícula elementar permanece como estava. Tudo muda o tempo todo e, mesmo que às vezes não consigamos perceber, é exatamente isso que faz a vida, uma seqüência sutil de estados …



Babel sem teto

Renata Miloni

Em algum lugar muito distante daqui (que não chega a ser uma galáxia), meu amigo vai trabalhar e, no horário de almoço, visita sua biblioteca preferida da cidade. É como se fosse um paraíso, os bibliófilos podem compreender melhor. Lá, meu amigo olha para os lados e …



Editorial #9 - Maio/2008

16/05/08

Com um brinde ao belo trabalho do fotógrafo Federico Ferrari, a Malagueta chega à nona edição e continua a crescer também em Portugal. A revista recebeu colaborações dos portugueses em quase todas as seções desta vez, dividindo com ótimos autores brasileiros o merecido espaço para publicarem seus …



O “gozar sem entraves” e a tragédia egoísta

João Barreto

Referência obrigatória para ler esta coluna é saber que em maio de 2008 completam-se 40 anos dos acontecimentos que tiveram lugar na França de 1968.

Uma das questões mais interessantes de nosso tempo talvez seja: por que será que a geração que mais desejou mudar radicalmente a …



Narrativa em movimento: a cidade e a viagem na ficção de Jacinto Lucas Pires

Aida Cardoso

Jacinto Lucas Pires, nascido na cidade do Porto em 1974, viu a sua primeira obra publicada em 1996. Depois da colectânea de contos Para averiguar do seu grau de pureza [1], o autor tem vindo a construir uma obra a um tempo consistente e diversificada, …



Poema místico e outros

Felipe Stefani

Poema místico
Repentino,
Na clareira vulcânica da idade,
Concebi assim a leitura da memória;
De que tudo que desata, cresce e morre
Tem um gesto,
Um gesto de princípio.

Deveríamos chamar “ritmo”
Tudo que nos torna exaltados.

Somos tentados a ver dentro do sonho,
Assim nos recriamos do que nos causa escândalo,
Nomeamos a noite, a tarde e …



Biografia duma navalha

Dimas Gomez

Um menino enfiou agulha na bunda do barbeiro, que rasgou o pescoço do cliente num grito de agonia traseira. O tal sumiu como um diabinho, que propositadamente obrasse a morte do homem engravatal. Este sorria no momento da desgraça inimaginável. O sorriso desceu vermelho para o pescoço …



Para escrever, Ponderar & A face interna

Walter Ramos

Para escrever
(ou O imperativo da escrita)

Elege um tempo a visitar formas passadas.
Resiste um pouco. Logo — comportas-cheias —
vem à veia pulsada a poesia viva.
Dela tirarás a prima seiva.
Segreda um canto na memória,
exalta o agora como quem passa sem jamais;
Na bagagem o necessário,
com tudo que se possa dispensar …



Aborrecimento

José Luís Bértolo

Estava chateado porque o professor ralhou consigo. Disse-lhe que não sei quê não sei quê não estava bom, ao que ele respondeu “tá bem” e saiu da sala. “Caiu-me mal, pá”, disse-me, e eu respondi “deixa lá amigo, pensa que na África subsariana, neste preciso momento, …



Toc-toc

Mauro Paz

Toc-toc. Bate o bico da bota do uniforme de frentista no meio-fio deixando para trás mais um dia de trabalho. Uma vida ordinária que nem a cachaça gostaria de lembrar. Sozinho no mundo desde sempre, saiu de casa ainda menino. Não guarda fotografias, bilhetes ou algo que …



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